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A TEMPESTADE

Publicada em: 27/04/2026 17:47 -

Uma sátira afiada sobre poder, controle e ilusões na política

 

Na ilha da fantasia, onde o vento muda de humor mais rápido que seus governantes, surgiu a ideia de erguer uma nova Corte Suprema.
Não por capricho, mas porque a antiga já não obedecia aos encantos do mago administrador da vez.
Ele sonhava com sábios de idade avançada, escolhidos como quem seleciona conchas raras na praia — cada um com prazo de validade bem-marcado, para evitar que criassem raízes profundas demais na areia.
Enquanto isso, a ilha fervilhava.
Espíritos livres reclamavam das decisões tomadas por um único dedo, e o mago, incomodado, decretou que dali em diante ninguém mais poderia conjurar tempestades sozinho.
Tudo deveria ser decidido em coro — mesmo que o coro desafinasse.
O candidato, sempre cético, resmungava que mudar o nome do conselho não mudaria o cheiro do mar.
E assim a ilha da fantasia seguiu, entre encantos, decretos, súmulas e ironias, esperando que algum dia o poder aprenda a se controlar sozinho — coisa difícil de acontecer.
Entre a magia, o poder e o bom senso, na política, nas cortes e nos parlamentos, prevalecem sempre os truques, as mordaças e os grilhões.
E TENHO DITO,
PALAVRA DE HONRA!

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